Mostrando postagens com marcador Gramática. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gramática. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de agosto de 2010

VERBO - FLEXÃO DE MODO

Entende-se por modo a atitude que o falante assume em relação ao processo verbal (de certeza, de dúvida, de ordem, etc.) São três os modos verbais: indicativo, subjuntivo e imperativo.

1. Modo Indicativo: apresenta o fato como certo, preciso, seja ele pretérito, presente ou futuro.

Respeitamos a natureza

2. Modo Subjuntivo: apresenta o fato como incerto, duvidoso.

Se respeitássemos a natureza, o mundo ficaria melhor.

3. Modo Imperativo: exprime uma ordem, um pedido ou um conselho.

Respeite a natureza.

FONTE: NICOLA, J; TERRA, E. Minigramática. São Paulo: Scipione, 2002.

domingo, 22 de agosto de 2010

CRASE

A palavra crase significa fusão, junção. Em português, ocorre a crase com as vogais idênticas (a + a), indicada, na escrita, pelo acento grave (`). É importante atentar que, embora idênticas, essas vogais pertencem a classes gramaticais diversas: o primeiro a é sempre uma preposição; o segundo pode ser um artigo feminino, a letra inicial dos pronomes demonstrativos aquele (s), aquela(s), aquilo; parte do pronome relativo a qual, as quais ou o pronome demonstrativo a.

Regra geral para identificação da ocorrência da crase

Ocorrerá crase sempre que o termo regente exigir a preposição a e o termo regido admitir o artigo a ou as.

Eu me referi (a + a) diretora Eu fui (a + a) cidade

Eu me referi à diretora. Eu fui à cidade.

Casos especiais

1. Expressões adverbiais

As expressões adverbiais, prepositivas e conjuntivas formadas por palavras femininas, tais como à noite, à tarde, à vista, às duas horas, à meia-noite, às vezes, às pressas, às escondidas, à moda de (mesmo se a palavra moda não aparecer) etc. devem receber o acento grave.

Ele estava à procura de uma loja que vendesse produtos à vista.

2. Crase facultativa

a) Diante de nome de pessoas

Ele fez referência à Sandra / Ele fez referência a Sandra.

b) Diante de pronomes possessivos femininos

Obedeço a minha irmã / Obedeço à minha irmã.

Como a crase é a junção da preposição a e o artigo feminino a, é importante atentar-se para a regra do artigo definido. Usa-se artigo definido diante de nomes próprios somente quando há intimidade ou familiaridade. O mesmo acontece quando há pronomes possessivos.

c) Depois da preposição até

Fomos até a feira. (Uso da preposição até)

Fomos até (a + a) feira. Fomos até à feira. (Uso da locução conjuntiva até a)

3. Crase diante de nome de lugares

Quando o nome próprio refere-se a um lugar e ele admitir o uso do artigo definido, ocorrerá crase.

Vou (a + a) Itália. Vou à Itália.

Para descobrir se o topônimo aceita artigo definido, pode-se utilizar o seguinte artifício: formulam-se frases utilizando o topônimo após a preposição de e sua contração da. Quando a contração for aceita, utilizar-se-á o acento grave quando houver a preposição a.

Venho da Itália Utiliza-se crase com o nome Itália porque ele aceita artigo definido.

Venho da Roma* Não ocorre crase com o nome Roma porque ele não aceita artigo definido.

Venho da imponente Roma Ocorre crase com o nome Roma porque ele aceita artigo definido.

4. Diante das palavras casa e terra

As palavras casa (no sentido de lar, moradia) e terra (no sentido de chão firme) não admitem a anteposição do artigo definido a. Por isso, não há uso do acento grave antes delas.

Voltamos cedo a casa.

Os marinheiros referiram-se a terra.

No entanto, caso essas palavras estejam determinadas, haverá o uso, pois elas passam a admitir o uso do artigo.

Voltamos cedo à casa de João.

Os marinheiros referiram-se à terra dos imigrantes.

5. Diante dos pronomes demonstrativos aquilo, aquela(s), aquele(s)

Sempre que a preposição a se localizar diante desses pronomes demonstrativos ocorrerá a crase.

Ele se referiu (a + a)quilo que você disse. Ele se referiu àquilo que você disse.

6. Diante dos pronomes relativos o qual, as quais

Sempre que um termo das orações introduzidas por esses pronomes exigir a preposição a e essa preposição os preceder, ocorrerá a crase.

A cidade (a +a) qual iremos[a] possui praias (a +as) quais chegaremos[a]

A cidade à qual iremos possui praias às quais chegaremos.

Os pronomes a qual e as quais introduzem duas orações compostas, respectivamente, pelos verbos iremos e chegaremos. Ambos os verbos exigem a preposição a.

7. Diante do pronome relativo que

A crase só ocorrerá antes do pronome relativo que, quando antes dele estiver o pronome demonstrativo a.

Essa camisa é igual (a + a) que eu comprei ontem. Essa camisa é igual à que comprei ontem.

Observe que, nesse caso, pode-se elaborar semelhante frase: Essa camisa é igual àquela que comprei ontem.

FONTE: NICOLA, J; TERRA, E. Minigramática. São Paulo: Scipione, 2002.

SINTAXE – FUNÇÃO DA PALAVRA ‘SE’

1. Conjunção: Relaciona entre si duas orações, Nesse caso, não exerce função sintática. Como conjunção a palavra se pode ser:

a) conjunção subordinativa integrante: inicia uma oração subordinada substantiva.

Perguntei se ele estava satisfeito.

b) Conjunção subordinativa condicional: inicia uma oração adverbial condicional.

Se todos tivessem estudado, as notas seriam altas.

2. Partícula expletiva ou de realce: pode ser retirada da frase sem prejuízo algum para o sentido. Nesse caso, a palavra se não exerce função sintática. Como o próprio nome indica, é usada apenas para dar realce.

Ele se morria de ciúmes da namorada.

3. Parte integrante do verbo: faz parte dos verbos pronominais. Nesse caso, o se não exerce função sintática.

Ajoelhou-se no chão e rezou.

4. Partícula apassivadora: ligada a verbo que pede objeto direto, caracteriza as orações que estão na voz passiva sintética, É também chamada de pronome apassivador.Nesse caso, não exerce propriamente uma função sintática, seu papel é apenas apassivar o verbo.

Aluga-se carro.

5. Índice de indeterminação do sujeito: vem ligado a um verbo que não é transitivo direto, tornando o sujeito indeterminado. Não exerce propriamente uma função sintática, seu papel é o de indeterminar o sujeito. Lembre-se de que, nesse caso, o verbo deverá estar na terceira pessoa do singular.

Vive-se bem aqui.

6. Pronome reflexivo: quando a palavra se é pronome pessoal, ela deverá estar sempre na mesma pessoa do sujeito da oração de que faz parte. Por isso o pronome oblíquo se sempre será reflexivo. (equivalendo a si mesmo), podendo assumir as seguintes funções sintáticas.

a) Objeto direto

Ele se cortou com a faca.

b) Objeto indireto

Ele se arroga direitos que não possui.

c) Sujeito de um infinitivo

"Sofia deixou-se estar à janela." (Machado de Assis)

FONTE: NICOLA, J; TERRA, E. Minigramática. São Paulo: Scipione, 2002.

terça-feira, 27 de julho de 2010

MORFOLOGIA – VERBO E FLEXÃO DE VOZ

A flexão de voz indica a relação estabelecida entre o verbo e o seu sujeito. Conforme o tipo dessa relação, o verbo pode apresentar-se na voz ativa, voz passiva ou voz reflexiva

Voz ativa: quando o sujeito é o agente, isto é, aquele que executa a ação expressa pelo verbo.

O gorila comeu a banana.

Voz passiva: quando o sujeito é o paciente, ou seja, o receptor da ação expressa pelo verbo. Há dois tipos de voz passiva:

voz passiva analítica: formada por verbo auxiliar conjugado mais particípio do verbo principal.

A banana foi comida pelo gorila

voz passiva sintética (ou pronominal): formada por verbo na terceira pessoa mais a partícula apassivadora se.

Comeu-se a banana.

Voz reflexiva: quando o sujeito é ao mesmo tempo agente e paciente, ou seja, executor e receptor da ação expressa pelo verbo.

João contou-se na vidraça.

FONTE: NICOLA, J; TERRA, E. Minigramática. São Paulo: Scipione, 2002.

MORFOLOGIA - PRONOMES DEMONSTRATIVOS

Pronomes demonstrativos são aqueles que indicam a posição de um ser em relação às pessoas do discurso, situando-o no espaço ou no tempo.

Os pronomes demonstrativos são os seguintes:

As formas variáveis este, esse, aquele (e flexões) podem funcionar como pronomes substantivos ou pronomes adjetivos. As formas invariáveis isto, isso, e aquilo sempre funcionarão como pronomes substantivos.

Esta casa foi reformada há pouco tempo.

A casa que ele mandou reformar é esta.

A casa foi projetada por aquele arquiteto.

O arquiteto que projetou a casa é aquele.

Isto não poderia ter ocorrido.

Sandra nunca concordou com aquilo.

Dependendo do contexto, também podem funcionar como pronomes demonstrativos as seguintes palavras: o, a, os, as, mesmo, próprio, semelhante, tal.

O, a, os, as são pronomes demonstrativos quando equivalem a aquele(s), aquela(s), aquilo, isso.

Falaram tudo o que queriam.

As atletas convocadas não eram as que estavam em melhor forma.

Tal é pronome demonstrativo quando equivale a este, esse (e flexões), isso.

Não havia motivos reais para tal comportamento.

Semelhante é pronome demonstrativo quando equivale a este, esse (e flexões) e tal.

Não diga semelhante asneira!

Mesmo e próprio são demonstrativos de reforço. Estarão sempre se referindo a um substantivo ou pronome com o qual deverão concordar.

Ele mesmo preparou o jantar.

Ela própria autorizou a viagem do filho.

Fizeram as mesmas reclamações ao síndico.

Não se deve fazer justiça pelas próprias mãos.

Os pronomes demonstrativos, com exceção de mesmo, próprio, semelhante e tal, podem aparecer unidos a preposições.

deste, desta, disto (= de + este, esta, isto)

nesse, nessa, nisso (= em + esse, essa, isso)

daquele, daquela, daquilo (= de + aquele, aquela, aquilo)

àquele, àquela, àquilo, etc. (= a + aquele, aquela, aquilo)

Emprego dos ponomes demonstrativos

1. Os pronomes demonstrativos podem ser utilizados para indicar a posição espacial de um ser em relação às pessoas do discurso.

a) Os demonstrativos de primeira pessoa (este e flexões, isto) indicam que o ser está próximo à pessoa que fala.

Esta menina que está aqui ao meu lado se chama Lúcia.

Este livro que trago comigo é um romance.

Isto que eu tenho nas mãos é uma chave.

b) Os demonstrativos de segunda pessoa (esse e flexões, isso) indicam que o ser está próximo à pessoa com quem se fala.

Essa menina que está aí ao teu lado se chama Lúcia.

Esse livro que tu trazes contigo é um romance.

Isso que você tem nas mãos é uma chave.

c) Os demonstrativos de terceira pessoa (aquele e flexões, aquilo) indicam que o ser está próximo à pessoa de quem se fala, ou distante dos interlocutores.

Aquela menina que estuda na outra sala se chama Lúcia.

Aquele livro que está lá na biblioteca é um romance.

Aquilo que está ali nas mãos de Pedro é uma chave.

2. Os demonstrativos servem para indicar a posição temporal, revelando proximidade ou distanciamento no tempo, em relação à pessoa que fala.

a) O demonstrativo de primeira pessoa este (e flexões) revela tempo presente ou bastante próximo do momento em que se fala.

Hoje é feriado, por isso desejo aproveitar este dia.

Desejo viajar ainda nesta semana.

b) O demonstrativo de segunda pessoa esse (e flexões) revela tempo passado relativamente próximo ao momento em que se fala.

Na quarta-feira passada fiz aniversário; nesse dia reuni-me com os amigos.

No mês passado completei dezoito anos; nesse mesmo mês tirei a carteira de habilitação.

c) O demonstrativo de terceira pessoa aquele (e flexões) revela tempo remoto ou bastante vago.

Em 1970, a seleção brasileira de futebol era imbatível. Naquele ano, o Brasil se sagrou tricampeão mundial.

3. Os pronomes demonstrativos podem indicar o que ainda vai ser dito e aquilo que já foi dito.

a) Devemos empregar este (e flexões) e isto quando queremos fazer referência a alguma coisa que ainda vai ser dita.

Espero sinceramente isto: que sejam chamados os melhores.

Estas são as qualidades de um bom texto: clareza, correção, elegância e concisão.

b) Devemos empregar esse (e flexões) e isso quando queremos fazer referência a alguma coisa que já foi dita.

Que sejam chamados os melhores; é isso que espero.

Clareza, correção, elegância e concisão; essas são as qualidades de um bom texto.

c) Emprega-se este em oposição a aquele quando se quer fazer referência a elementos já mencionados. Este se refere ao mais próximo; aquele, ao mais distante.

Matemática e literatura são matérias que me agradam: esta me desenvolve a sensibilidade; aquela, o raciocínio.

Em expressões como por isso, além disso, isto é, o uso dos demonstrativos nem sempre está em conformidade com as regras. Nessas expressões, sua forma é fixa.

FONTE: NICOLA, J; TERRA, E. Minigramática. São Paulo: Scipione, 2002.

MORFOLOGIA - PRONOMES PESSOAIS

Pronomes pessoais são aqueles que representam as pessoas do discurso. Além das flexões de pessoa (primeira, segunda e terceira), gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural), o pronome pessoal apresenta variação de forma (reto ou oblíquo), dependendo da função que desempenhar na oração.

Pronome pessoal reto: desempenha a função de sujeito da oração.

Pronome pessoal oblíquo: desempenha a função de complemento verbal.

Número

Pessoa

Pronomes retos

Pronomes oblíquos

Átonos

Tônicos

singular

primeira

segunda

terceira

eu

tu

ele, ela

me

te

o, a, lhe, se

mim, comigo

ti, contigo

ele, ela, si, consigo

plural

primeira

segunda

terceira

nós

vós

eles, elas

nos

vos

os, as, lhes, se

nós, conosco

vós, convosco

eles, elas, si, consigo

Pronomes de tratamento

Na categoria dos pronomes pessoais, incluem-se os pronomes de tratamento. Eles se referem à pessoa a quem se fala (portanto, segunda pessoa), mas a concordância gramatical deve ser feita com a terceira pessoa.

Autoridades de estado

Civis

Pronome de tratamento

Abreviatura

Usado para

Vossa Excelência

V. Ex.a

Presidente da República, Senadores da República, Ministro de Estado, Governadores, Deputados Federais e Estaduais, Prefeitos, Embaixadores, Vereadores, Cônsules, Chefes das Casas Civis e Casas Militares

Vossa Magnificência

V. M.

Reitores de Universidade

Vossa Senhoria

V. S.ª

Diretores de Autarquias Federais, Estaduais e Municipais

Judiciárias

Pronome de tratamento

Abreviatura

Usado para

Vossa Excelência

V. Ex.a

Desembargador da Justiça, curador, promotor

Meritíssimo Juiz

M. Juiz

Juízes de Direito

Militares

Pronome de tratamento

Abreviatura

Usado para

Vossa Excelência

V. Ex.a

Oficiais generais (até coronéis)

Vossa Senhoria

V. S.a

Outras patentes militares

Autoridades eclesiásticas

Pronome de tratamento

Abreviatura

Usado para

Vossa Santidade

V. S.

Papa

Vossa Eminência Reverendíssima

V. Em.ª Revm.ª

Cardeais, arcebispos e bispos

Vossa Reverendíssima

V. Revmª

Abades, superiores de conventos, outras autoridades eclesiásticas e sacerdotes em geral

Autoridades monárquicas

Pronome de tratamento

Abreviatura

Usado para

Vossa Majestade

V. M.

Reis e Imperadores

Vossa Alteza

V. A.

Príncipes

Outros títulos

Pronome de tratamento

Abreviatura

Usado para

Vossa Senhoria

V. S.ª

Dom

Doutor

Dr.

Doutor

Comendador

Com.

Comendador

Professor

Prof.

Professor

Emprego dos pronomes pessoais

1. Os pronomes oblíquos conosco e convosco são utilizados normalmente em sua forma sintética. Caso haja palavra de reforço, tais pronomes devem ser substituídos pela forma anaítica.

Queriam falar conosco.

Queriam falar com nós dois.

2. Os pronomes oblíquos o, a, os, as, quando precedidos de verbos que terminam em -r, -s, -z, assumem a forma Io, la, los, las, e os verbos perdem aquelas terminações.

Vou amá-lo por toda a minha vida. (amar + o)

Tu ama-lo como a ti mesma. (amas + o)

O jogo, fi-lo sozinho. (fiz + o)

3. Os pronomes oblíquos o, a, os, as, quando precedidos de verbos que terminam em -m, -ão, -õe, assumem a forma no, na, nos, nas.

Entregaram-no ao professor.

O assunto, dão-no por encerrado.

Abençõem-nos para que partam tranqüilos.

4. As formas plurais nós e vós podem ser empregadas para representar uma única pessoa (singular), adquirindo valor cerimonioso ou de modéstia.

Nós — disse o prefeito — procuramos resolver o problema das enchentes. (plural de modéstia)

Vós sois minha salvação, meu Deus! (plural majestático)

5. Os pronomes de tratamento devem vir precedidos de vossa, quando nos dirigimos à pessoa representada pelo pronome, e sua, quando nos referimos a essa pessoa.

Vossa Excelência já aprovou os projetos? — perguntou o assessor.

Sua Excelência, o governador, deverá estar presente à inauguração — relatou o repórter.

Na primeira frase, empregou-se Vossa Excelência porque o interlocutor falava com o governador. Na segunda, o repórter utilizou a forma Sua Excelência porque falava do governador.

6. Você e os demais pronomes de tratamento (Vossa Majestade, Vossa Alteza, etc), embora se refiram à pessoa com quem falamos (segunda pessoa, portanto), comportam-se gramaticalmente como pronomes da terceira pessoa.

Você trouxe seus documentos?

Vossa Excelência não precisa incomodar-se com seus problemas.

7. No português moderno falado no Brasil, você deixou de ser pronome de tratamento e assumiu todas as características e funções de um pronome pessoal de segunda pessoa, substituindo o tu e o vós. No entanto, continua fazendo a concordância com o verbo na terceira pessoa.

Você irá ao cinema? (Você: segunda pessoa; irá: terceira pessoa)

Vocês irão ao cinema? (vocês: segunda pessoa; irão: terceira pessoa)

Colocação Pronominal

Os pronomes oblíquos átonos ( o, a, os, as, lhe, lhes, me, te, se, nos, vos), como todos os outros monossílabos átonos, apóiam-se na tonicidade de alguma palavra próxima. Assim, esses pronomes podem ocupar três posições na oração: antes do verbo; no meio do verbo; depois do verbo.

Antes do verbo: quando o pronome é colocado antes do verbo, ocorre a próclise.

Nunca me revelaram os verdaderiso motivos.

No meio do verbo: quando o pronome é colocado no meio do verbo, ocorre a mesóclise.

Revelar-te-ia os verdadeiros motivos.

Depois do verbo: quanto o pronome é colocado depois do verbo, ocorre a enclise.

Revelaram-me os verdadeiros motivos.

Ênclise

A ênclise ocorre normalmente:

1. com o verbo no início da frase.

Comenta-se que ele deverá receber o prêmio.

2 com o verbo no imperativo afirmativo.

Alunos, apresentem-se ao diretor

3. com o verbo no gerúndio.

Modificou a frase, tornando-a ambígua.

Caso o gerúndio venha precedido pela preposição em, ocorrer a próclise.

Em se tratando de cinema, prefiro filmes europeus.

4. com o verbo no infinitivo impessoal

Leia atentamente as questões antes de resolvê-las.

Próclise

A próclise ocorre geralmente em orações em que antes do verbo haja:

1. palavra de sentido negativo (não, nada, nunca, ninguém, etc.)

Nunca me convidam para festas.

2. conjunção subordinativa

"Quando te encarei frente a frente não vi o meu rosto."(caetanoVeloso)

3. advérbio

Assim se resolvem os problemas

Caso haja pausa depois do advérbio (marcada na escrita por vírgula), ocorrerá a ênclise.

Assim, resolvem-se os problemas.

4. pronome indefinido

Tudo se acaba na vida.

5. pronome relativo

Não encontrei o caminho que me indicaram.

Ocorre também a próclise nas orações iniciadas por palavras interrogativas e exclamativas e nas orações optativas (orações que exprimem um desejo).

Quem te disse que ele não viria? (oração iniciada por palavra interrogativa)

Quanto me custa dizer a verdade! (oração iniciada por palavra exclamativa)

Deus te proteja. (oração optativa)

Mesóclise

A mesóclise só pode ocorrer quando o verbo estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito do indicativo.

Convidar-me-ão para a solenidade de posse da nova diretoria.

Convidar-te-ia para viajar comigo, se pudesse.

Caso o verbo no futuro do presente ou no futuro do pretérito do indicativo venha precedido por pronome pessoal reto, ou de alguma palavra que exija a próclise, esta será de rigor.

Eles me convidarão para a solenidade de posse da nova diretoria.

Não me convidarão para a solenidade de posse da nova diretoria.

Sempre te convidaria para viajar comigo, se pudesse.

Eu te convidaria para viajar comigo, se pudesse.

Colocação dos pronomes oblíquos átonos nas locuções verbais e nos tempos compostos

Nas locuções verbais em que o verbo principal está no infinitivo ou no gerúndio, o pronome oblíquo átono pode ser colocado, indiferentemente depois do verbo auxiliar ou depois do verbo principal.

Quero-lhe apresentar os meus primos que vieram do interior.

Quero apresentar-lhe os meus primos que vieram do interior.

Ia-lhe dizendo as razões da minha desistência.

Ia dizendo-a as razões da minha desistência.

Caso haja antes da locução verbal palavra que exija a próclise, o pronome oblíquo poderá ser colocado, indiferentemente, antes do verbo auxiliar ou depois do verbo principal.

Não lhe quero apresentar os meus primos que vieram do interior.

Não quero apresentar-lhe os meus primos que vieram do interior.

Alguém lhe ia dizendo as razões da minha desistência.

Alguém dizendo-lhe as razões da minha desistência.

Nos tempos compostos e nas locuções verbais em que o verbo principal está no particípio, a colocação dos pronomes oblíquos átonos será feita sempre em relação ao verbo auxiliar e nunca em relação ao particípio, podendo ocorrer a próclise, a mesóclise ou a ênclise conforme as orientações apresentadas anteriormente.

Havia-lhe contado os verdadeiros motivos da minha desistência.

Nunca o tinha visto antes.

Ter-lhe-ia procurado, se tivesse tempo.

Sentiu-se rejeitado pelos colegas.

Ficou tímido, porque se sentiu rejeitado pelos colegas.

Se não o convidarem, sentir-se-á rejeitado pelos colegas.

Nas locuções verbais e nos tempos compostos, quando se coloca o pronome oblíquo átono depois do verbo auxiliar, pode se usar o hífen

Vou-te devolver o livro amanhã.

Vou te devolver o livro amanhã.

FONTE: NICOLA, J; TERRA, E. Minigramática. São Paulo: Scipione, 2002.

domingo, 25 de julho de 2010

CONCORDÂNCIA NOMINAL

Regra geral: o adjetivo, o artigo, o numeral adjetivo e o pronome adjetivo concordam em gênero e número com o nome a que se referem.

Aqueles dois meninos estudiosos leram os livros antigos.

CASOS PARTICULARES

Um adjetivo referindo-se a mais de um substantivo:

1. Quando o adjetivo vier anteposto aos substantivos a que se refere, deverá concordar com o substantivo mais próximo.

Escolheste má hora e lugar.

Escolheste mau lugar e hora.

Quando o adjetivo anteposto funcionar como predicativo (do sujeito ou do objeto), poderá concordar com o substantivo mais próximo (conforme a regra), ou ir para o plural.

Estava calmo o aluno e a aluna.

ou

Estavam calmos o aluno e a aluna.

Se o adjetivo anteposto referir-se a nomes próprios, o plural será obrigatório.

As simpáticas Lúcia e Luciana são irmãs.

2. Quando o adjetivo vier posposto aos substantivos a que se refere, haverá duas opções de concordância:

a) o adjetivo concorda com o substantivo mais próximo:

Encontramos um jovem e um homem preocupado.

b) o adjetivo vai para o plural, concordando com todos os substantivos:

Encontramos um jovem e um homem preocupados.

Quando se opta pela concordância no plural, é preciso levar em conta que, se pelo menos um dos substantivos for masculino, o adjetivo irá para o masculino plural.

Encontramos uma jovem e um homem preocupados.

Evidentemente,o adjetivo concordará apenas com o último substantivo se apenas ele estiver sendo qualificado.

Comeu peixe e laranja madura. / Da janela avistava sol e mar azul.

Se o adjetivo posposto aos substantivos funcionar como predicativo, o plural será obrigatório.

O aluno e a aluna estão reprovados.

Um substantivo determinado par mais de um adjetivo

Quando houver um único substantivo para vários adjetivos, há duas construções possíveis:

Estudava os idiomas francês, inglês e italiano.

ou

Estudava o idioma francês, o inglês e o italiano.

Note que, quando se coloca o substantivo no plural, não se usa artigo antes dos adjetivos. Se, no entanto, o substantivo estiver no singular, será obrigatório o uso do artigo a partir do segundo adjetivo.

As expressões é bom / é necessário / é proibido

As expressões formadas de verbo ser mais um adjetivo (é bom, é necessário, é proibido, etc.) não variam.

Água mineral é bom.

Virtude é necessário.

Bebida alcoólica é proibido para menores.

Entretanto, se o sujeito vier antecedido de artigo (ou outro determinante), a concordância será obrigatória.

A água mineral é boa.

A virtude é necessária.

A bebida alcoólica é proibida.

Anexo / Incluso

Anexo e incluso são palavras que funcionam como adjetivos; devem, portanto, concordar com o nome a que se referem.

Segue anexo o livro. / Seguem anexos os livros.

Segue anexa a fotografia. / Seguem anexas as fotografias.

Vai incluso o documento. / Vão inclusos os documentos.

Vai inclusa a procuração. / Vão inclusas as procurações.

Incluem-se nesta regra as seguintes palavras: mesmo, próprio obrigado, agradecido, grato, quite.

Ele mesmo falou obrigado. / Ela mesma falou obrigada.

Ele próprio ficou agradecido. / Ela própria ficou agradecida.

Eles próprios resolveram as questões.

O menino ficou grato. / A menina ficou grata. / Os meninos ficaram gratos.

As meninas ficaram gratas.

O aluno está quite com o serviço militar. / Eles estão quites com o serviço militar.

Bastante / Bastantes

Bastante pode funcionar como adjetivo, pronome ou advérbio.

Quando adjetivo ou pronome adjetivo (estará se referindo a um substantivo), concordará normalmente como substantivo a que se refere.

Bastantes pessoas compareceram à reunião. / Havia bastantes razões para ele comparecer.

As provisões foram bastantes para as férias. / Já falei isso bastantes vezes.

Quando advérbio (estará se referindo a verbo, adjetivo ou advérbio), não varia.

Elas falam bastante. / Elas são bastante simpáticas. / Elas chegaram bastante cedo.

Nesta regra, podemos incluir ainda as seguintes palavras: meio, muito, pouco, caro, barato, longe. Portanto,elas se flexionam quando adjetivo, numeral adjetivo ou pronome adjetivo, e se mantêm invariáveis quando advérbio.

Como adjetivo, numeral adjetivo ou pronome adjetivo:

Tomou meio litro de leite. / Tomou meia garrafa de refrigerante.

É meio-dia e meia (hora).

Muitos alunos compareceram à formatura.

Poucas pessoas assistiram ao jogo.

Os sapatos eram caros.

A mercadoria é barata.

Andei longes caminhos e longes terras.

Como adverbio:

Ela é meio louca.

A porta estava meio aberta.

Ela anda meio aborrecida.

Os alunos estudaram muito.

Elas gastaram pouco.

Aqueles sapatos custaram caro.

Aquelas mercadorias custaram barato.

Eles moram longe.

Pronomes de tratamento

A concordância (verbal e nominal) dos pronomes de tratamento será sempre em terceira pessoa.

Vossa Excelência não precisa incomodar-se com seus problemas.

Vossa Alteza conhece muito bem os seus inimigos.

Um adjetivo referente a um pronome de tratamento concordará com o sexo da pessoa representada por este pronome.

Sua Majestade está preocupado. (um rei)

Sua Majestade está preocupada. (uma rainha)

Só/Sós

A palavra só, quando for adjetivo (equivalerá a sozinho), concordará normalmente com o nome ou pronome a que se refere.

Ela ficou só.

Elas ficaram sós.

Quando for advérbio (equivalerá a somente), não varia.

Depois da batalha restaram cinzas.

Os artistas esperam ter su talento reconhecido.

*O advérbio em geral pode ser substituído por apenas.

A locução adverbial a sós é invariável.

Gostaria de ficar a sós com você.

Eles precisam conversar a sós.

Substantivo empregada como adjetivo

O substantivo empregado como adjetivo (derivação imprópria) não varia.

comício monstro. / comícios monstro.

conta fantasma. / contas fantasma.

Possível

A palavra possível, quando acompanha expressões superlativas tais como o mais, a menos, o melhor, a pior, fica no singular.

Quero um carro o mais barato possível.

Comprou alimentos o menos caros possível.

Recebemos a melhor notícia possível.

Vai para o plural, porém, quando o artigo estiver no plural.

Vestia roupas as mais modernas possíveis.

Dirigiu-lhes os maiores elogios possíveis.

As previsões eram as piores possíveis.

A expressão quanto possível é invariável.

Proporcionou-lhes conforto quanto possível.

Obteve informações quanto possível.

Particípios

Os particípios concordam normalmente com o substantivo a que se referem.

Iniciado o trabalho, todos saíram.

Iniciados os trabalhos, todos saíram.

Iniciada a aula, o professor fez a chamada.

Concordância ideológica

Muitas vezes a concordância não é feita com a forma gramatical das palavras, mas com a idéia ou o sentido que está subentendido nelas. A esse tipo de concordância dá-se o nome de concordância ideológica ou silepse.

A dinâmica e populosa São Paulo continua sofrendo com as enchentes. (silepse de gênero: subentende-se a cidade de São Paulo)

Os brasileiros comemoramos a vitória de Gustavo Kuerten. (silepse de pessoa: subentende-se nós, os brasileiros)

Os sertões conta a Guerra dos Canudos. (silepse de número: subentende-se a obra Os sertões)

FONTE: NICOLA, J; TERRA, E. Minigramática. São Paulo: Scipione, 2002.